ESTÁ QUASE ACABANDO, ESPERA SÓ MAIS UM POUCO...
Da série: Escrever para não esquecer, aqui vai mais um texto.
Estamos à beira de mais uma cirurgia. Desde que mamãe fez a retirada da vesícula, ela confirmou o diagnóstico de câncer no estômago. Estamos correndo contra o tempo. Minha mãe, tão linda, tão jovem, não aguento vê-la sofrer assim, mas ela me transmite uma paz, uma confiança... que só a fé no sobrenatural pode gerar, é o que está sendo nossa âncora. Nesse mês teremos respostas definitivas. Confesso que no começo de tudo tive medo de perdê-la, chorei escondida por vários dias, mas teve um momento que não consegui esconder mais, abracei meu pai e chorei o medo da morte. Minha família agora está mais confiante, há momentos que parece o fim, totalmente sem recursos financeiros para sustentar a dieta dela, remédios, quando parece que está acabado, Deus envia a provisão, alguém faz uma doação, um amigo ou parente envia recursos, Deus provê. Esse trabalho em que estou chegou no momento certo, Deus me livre de estar desempregada no momento em que minha família mais precisa de mim. Não está sendo nada fácil, meu corpo tem limites muito claros, mas estou me esforçando ao máximo para sustentar essa rotina de dois turnos, os remédios são caros e sei que depois da cirurgia é que vem aquela pilha de remédios e a nova dieta, sem mais um órgão fundamental na digestão... é a ciência testou o limite e descobriu como viver sem partes do corpo. Nesse intervalo de tempo, de janeiro para cá, a vida da minha família foi virada várias vezes, primeiro minha avó, depois minha mãe e consequentemente a minha, do meu pai, das minhas irmãs. Tudo, tudo, tudo sendo testado ao máximo, nossa fé, nossa resistência, nosso equilíbrio... saúde, tudo. Em meio ao caos minhas irmãs tentam planejar suas vidas, as duas estão em relacionametos sério, para casar, estão proucurando casas para comprar, planejando as cerimônias, os rapazes são de boas famílias, gente simples, trabalhadora, mas honesta e com bons valores para a vida familiar.Quanto a isso, estão todos muito contentes, as famílias e eles.Percebi que isso é um ponto de esperança para mamãe, ela quer estar aqui para participar de tudo isso, dos casantos, dos nascimentos das crianças, das casas novas. Vê-la esperançosa também me traz esperança. Eu amo essa mulher! Se eu pudesse, daria o mundo a ela! Já passei da fase de questionar "por que as pessoas boas sofrem" mas não consigo me contentar em vê-la padecer, ela não merece isso, mas algo que minha irmã falou essa semana me fez refletir. Ela estava conversando com o pastor. Em certo momento, ele perguntou o que ela pensava sobre tudo o que estávamos vivendo. Ela respondeu:- Nossa família é de personalidade muito forte, para Deus nos moldar, nos colocar no lugar certo, ele precisa pegar pesado com a gente. - Eu não quis admitir isso dentro do meu coração, minha boca não contrariou, mas no meu coração eu questionei, mas no final aceitei ser verdade. Enquanto a dor não se torna física e intensa, nós não procuramos resolvê-la, sempre foi assim, só quando tudo está para acabar é que procuramos ajuda, quando não há mais para onde correr é que procuramos o milagre. Tudo muito intenso, tudo só no limiar entre a vida e a morte. Em meio ao caos, eu vejo a minha vida passar diante de mim, como uma fumaça, assisto o meu futuro ir passando por mim e eu nem faço menção de erguer as mãos para tocá-lo. Por que eu sou assim? Eu também não sei. Consigo encontrar desculpas para tudo, me esconder debaixo de pilhas de tarefas do trabalho, me afastar de todos, consigo anular minha existência, amar e sofrer sozinha, também não sei por que sou assim. Meus projetos andam a passos lentos, minha sinceridade para comigo e para com os outros é desviada de todas as formas possíveis. Penso que no dia final Deus ainda vai me repreender por ser assim. A incerteza e a fragilidade da vida que estou vivenciando com o câncer que minha mãe está enfrentando me põem em reflexão constante, mas não tenho respostas ainda.
Estamos à beira de mais uma cirurgia. Desde que mamãe fez a retirada da vesícula, ela confirmou o diagnóstico de câncer no estômago. Estamos correndo contra o tempo. Minha mãe, tão linda, tão jovem, não aguento vê-la sofrer assim, mas ela me transmite uma paz, uma confiança... que só a fé no sobrenatural pode gerar, é o que está sendo nossa âncora. Nesse mês teremos respostas definitivas. Confesso que no começo de tudo tive medo de perdê-la, chorei escondida por vários dias, mas teve um momento que não consegui esconder mais, abracei meu pai e chorei o medo da morte. Minha família agora está mais confiante, há momentos que parece o fim, totalmente sem recursos financeiros para sustentar a dieta dela, remédios, quando parece que está acabado, Deus envia a provisão, alguém faz uma doação, um amigo ou parente envia recursos, Deus provê. Esse trabalho em que estou chegou no momento certo, Deus me livre de estar desempregada no momento em que minha família mais precisa de mim. Não está sendo nada fácil, meu corpo tem limites muito claros, mas estou me esforçando ao máximo para sustentar essa rotina de dois turnos, os remédios são caros e sei que depois da cirurgia é que vem aquela pilha de remédios e a nova dieta, sem mais um órgão fundamental na digestão... é a ciência testou o limite e descobriu como viver sem partes do corpo. Nesse intervalo de tempo, de janeiro para cá, a vida da minha família foi virada várias vezes, primeiro minha avó, depois minha mãe e consequentemente a minha, do meu pai, das minhas irmãs. Tudo, tudo, tudo sendo testado ao máximo, nossa fé, nossa resistência, nosso equilíbrio... saúde, tudo. Em meio ao caos minhas irmãs tentam planejar suas vidas, as duas estão em relacionametos sério, para casar, estão proucurando casas para comprar, planejando as cerimônias, os rapazes são de boas famílias, gente simples, trabalhadora, mas honesta e com bons valores para a vida familiar.Quanto a isso, estão todos muito contentes, as famílias e eles.Percebi que isso é um ponto de esperança para mamãe, ela quer estar aqui para participar de tudo isso, dos casantos, dos nascimentos das crianças, das casas novas. Vê-la esperançosa também me traz esperança. Eu amo essa mulher! Se eu pudesse, daria o mundo a ela! Já passei da fase de questionar "por que as pessoas boas sofrem" mas não consigo me contentar em vê-la padecer, ela não merece isso, mas algo que minha irmã falou essa semana me fez refletir. Ela estava conversando com o pastor. Em certo momento, ele perguntou o que ela pensava sobre tudo o que estávamos vivendo. Ela respondeu:- Nossa família é de personalidade muito forte, para Deus nos moldar, nos colocar no lugar certo, ele precisa pegar pesado com a gente. - Eu não quis admitir isso dentro do meu coração, minha boca não contrariou, mas no meu coração eu questionei, mas no final aceitei ser verdade. Enquanto a dor não se torna física e intensa, nós não procuramos resolvê-la, sempre foi assim, só quando tudo está para acabar é que procuramos ajuda, quando não há mais para onde correr é que procuramos o milagre. Tudo muito intenso, tudo só no limiar entre a vida e a morte. Em meio ao caos, eu vejo a minha vida passar diante de mim, como uma fumaça, assisto o meu futuro ir passando por mim e eu nem faço menção de erguer as mãos para tocá-lo. Por que eu sou assim? Eu também não sei. Consigo encontrar desculpas para tudo, me esconder debaixo de pilhas de tarefas do trabalho, me afastar de todos, consigo anular minha existência, amar e sofrer sozinha, também não sei por que sou assim. Meus projetos andam a passos lentos, minha sinceridade para comigo e para com os outros é desviada de todas as formas possíveis. Penso que no dia final Deus ainda vai me repreender por ser assim. A incerteza e a fragilidade da vida que estou vivenciando com o câncer que minha mãe está enfrentando me põem em reflexão constante, mas não tenho respostas ainda.

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