Bloqueios emocionais, causas financeiras.
Eu deveria escrever um livro sobre isso, deveria mesmo. Sei que não sou a única pessoa a passar por isso. Nem serei a última, nem sou a primeira. O que faz ter a intenção de buscar literaturas sobre o assunto.
Vamos começar organizando cronologicamente os fatos e as possíveis causas desse bloqueio, não gosto de chamar de "regressão", vamos apenas observar a história, não precisamos sofrer com ela.
Sou a primeira de três filhas de um casal jovem recém-casado.
Ela está se firmando sobre uma nova filosofia de vida, ele está em busca de estabelecer raízes e família. Não são de família abastada, são trabalhadores, sempre tiveram uma vida fácil, assim como o acesso à informação também é pouco, estamos no início dos anos 2000, a era da informação rápida ainda está começando.
Como eu me sinto em relação ao que o mundo está passando? - Indiferente, sou apenas uma criança que é super bem cuidada. Sei que moramos numa casa de madeira, num terreno emprestado, Às vezes nos falta o básico necessário, mas isso não me dói a ponto de fazer com que haja um desequilíbrio no meu caráter. Meus pais não nos privam de saber a verdade sobre essa situação financeira, que apesar de não ser boa, ao menos podemos desfrutar de harmonia entre os membros da família.
Meu pai faz o possível para nos sustentar, trabalha em serviços pesados, empregos longe de casa, trajetos perigosos. Sempre está cansado, mas também vejo nele a minha fonte de inspiração para a esperança. Ele é um homem fervoroso, se apega a Deus e à religião com tanta convicção que só vou descobrir que há outras expressões de fé tanto dentro como fora da igreja quando eu começar a estudar. Também falamos sobre essa fase de contato com o mundo exterior [fora da minha casa]. Não tínhamos condições de comprar o material escolar, éramos duas que iniciaríamos o ano escolar, Raquel e eu.
Lembro da minha mãe dizer: filha, estamos crendo em um milagre.
O milagre aconteceu. Com parte do material comprado e outra parte doada a nós, iniciamos os estudos. Nunca fui uma criança preguiçosa para estudar, mas sempre me esquivava de apresentações na escola. Meus pais não tinham como me assistir e nem como bancar figurinos, ficar em casa e dormir um pouco mais não parecia má ideia... não sentia falta. Quando saímos de onde morávamos e nos mudamos para o bairro da Campina, para o terreno da família da minha mãe, eu já estava um pouco mais consciente do universo que me rodeava. Sofri um pouco mais nesse tempo, por conta de ter a consciência da nossa situação financeira e começar a sentir a privação, desejar e não poder possuir e limitar os sonhos por aí desenvolver a ambição por alcançar, por causa de estar num mundo de "limitações".
O "não" não era incomum, até já tinha me acostumado, nem pedia essas coisas para os meus pais por conta de saber que não poderiam comparar.
Nunca fui muito de me comparar, só tive noção do que era imagem porque as pessoas faziam afirmações sobre ela, sim, com isso me lembro das palavras "precisamos do outro para entendermos o eu". O outro é meu espelho necessário.
Também foi daí que aprendi a almejar, desejar um futuro diferente, claro que meu pai também me incentivava muito e me incentiva até hoje a ter um futuro diferente do dele. Meu pai já trabalhou em muitos lugares e com diversos tipos de pessoas. Tive referência de um homem esperto que ama a família e que não larga o barco na Tempestade.
Minha mãe me transmitiu uma imagem de liberdade, o que fez ela estabelecer raízes foi o nosso nascimento. Minha mãe é mulher de espírito forte e aventureiro, já fez uma viagem internacional em busca de sustento e acabou encontrando a Cristo, é uma história complicada, mas me inspira bastante. No fundo, eu acredito que meus pais querem que eu seja desapegada de todo o resto do mundo e ligada apenas neles, na nossa família, para ser mais exata em minhas ideias. Com minhas irmãs não é diferente.
Sempre tive foco nos estudos e o reforço da ideia de que um relacionamento não me traria estabilidade e sim responsabilidades. Sempre vi meus pais lutando em busca de nosso sustento e isso até foi razão de conflito entre eles. De algum jeito, a minha mente entendeu que relacionamento é sustentar, trabalhar para se manter juntos. Não se associou a qualquer outro tipo de carência, como a maioria das meninas faz, não sinto carência afetiva, sinto necessidade de segurança de provisão. Morar, comer, vestir, calçar e poder escolher ir e vir. Mas, ao mesmo tempo que sou consciente de que um relacionamento não é exatamente isso, de forma rígida, também não estou encontrando um caminho claro para desvencilhar dessas crenças e ideias distorcidas, porém, sou consciente, esse já é o primeiro passo.
A minha condição financeira me bloqueia a buscar alguém que "some com meus projetos", no fundo, sinto que enquanto eu não me estabilizar financeiramente não conseguirei sustentar um relacionamento, não quero ser dependente, não quero depender para ter. Quero buscar e ter. Não tenho lutas contra "dominância masculina", entendo que é papel do homem cuidar e proteger, quero encontrar alguém como meu pai, que priorize a família. E seja sacerdote. Quero me sentir segura com ele. Saber que ele não vai desistir de tudo. Eu não desistiria. Nosso ser tem a necessidade de sentir um pouco do "eterno" em nossos relacionamentos, Deus colocou isso em nossa essência, desejo muito compartilhar a vida com alguém que seja consciente da vida, do propósito, do chamado, da eternidade e realizador. Consequentemente, conquistaremos muitas coisas juntos, realizaremos muitas coisas juntos. Também desejo ser assim, realizadora, consciente da vida, propósito, chamado, missão e eternidade. Ser para ele um auxílio certo, eu não vou deixar o barco na tempestade, não quero desistir de nós nos momentos de dificuldade. Mas preciso começar desde aqui a ser realizadora. Peço a Deus o poder de construir com as minhas mãos, fazer com as minhas mãos, peço a Deus força e determinação, quero deixar para trás esse tempo de correr lento 🐌, inconstância, preciso crescer e amadurecer.
Quero ser uma mulher forte para um homem forte.
Isso tem sim a ver com outro, mas também tem a ver comigo. Relacionamento também é sobre ser a resposta que o outro necessita. Ele para mim e eu para ele.
Preciso me desapegar de bloqueios e traumas, crenças limitantes e negativas. Quero ser próspera e construir um relacionamento próspero.
D.Santana
[22.09.2022]
#Sem um pretendente à vista.
#Preciso encontrar-me comigo.
#Crescer é necessário.
COMENTÁRIO: Me surpreende, às vezes, esses meus estados de lucidez, porque na maioria do tempo estou tão reativa, acho que falta a prática da meditação como eu tinha antes, lembro de passar horas pensando sobre o assunto, mas quando eu comecei a trabalhar entrei no modo automático e perdi a visão de propósitos duradouros, me deixei influenciar pelas circunstâncias presentes que querem cegar a gente, parece que o universo conspira para a gente fracassar, impressionante! Eu estava tão no automático que até o meu crush já não tinha mais graça para mim. Cheguei à conclusão de que paixão é coisa para desocupados, sei que fui maldosa nessa afirmação, mas a única pessoa prejudicada com ela era eu. Amor? Casamento? Paixão? Nossa, passavam longe de mim. Agora que tenho mais tempo para refletir, continuo só a refletir mesmo, concluí que em minhas condições, não consigo furar essa bolha de inseguranças e incertezas e seguir para o próximo passo da vida adulta que é quando a gente deixa pai e mãe e segue a vida com outro.
COMENTÁRIO: Me surpreende, às vezes, esses meus estados de lucidez, porque na maioria do tempo estou tão reativa, acho que falta a prática da meditação como eu tinha antes, lembro de passar horas pensando sobre o assunto, mas quando eu comecei a trabalhar entrei no modo automático e perdi a visão de propósitos duradouros, me deixei influenciar pelas circunstâncias presentes que querem cegar a gente, parece que o universo conspira para a gente fracassar, impressionante! Eu estava tão no automático que até o meu crush já não tinha mais graça para mim. Cheguei à conclusão de que paixão é coisa para desocupados, sei que fui maldosa nessa afirmação, mas a única pessoa prejudicada com ela era eu. Amor? Casamento? Paixão? Nossa, passavam longe de mim. Agora que tenho mais tempo para refletir, continuo só a refletir mesmo, concluí que em minhas condições, não consigo furar essa bolha de inseguranças e incertezas e seguir para o próximo passo da vida adulta que é quando a gente deixa pai e mãe e segue a vida com outro.
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